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		<title>A Consciência de Francis</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 03:56:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Noves Fora</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Aron Schmitz era um escritor italiano relegado ao opróbrio do anonimato até publicar, sob o pseudônimo de Ítalo Svevo, A Consciência de Zeno, história na qual as memórias do protagonista – que abordam do vício pela nicotina ao amor reprimido pela cunhada &#8211; são perscrutadas postumamente por seu analista.
Paulo Francis, diferentemente de Zeno, não relegou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=122&subd=9sfora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h3><a href="http://luizbetti.blogspot.com/2009/08/consciencia-de-francis.html"></a></h3>
<div><a href="http://3.bp.blogspot.com/_RVmllywo9W0/SpHncRAWXRI/AAAAAAAAADA/ykFvBsagnHE/s1600-h/francis.jpg"><img style="float:right;width:274px;cursor:hand;height:320px;margin:0 0 10px 10px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_RVmllywo9W0/SpHncRAWXRI/AAAAAAAAADA/ykFvBsagnHE/s320/francis.jpg" border="0" alt="" /></a>Aron Schmitz era um escritor italiano relegado ao opróbrio do anonimato até publicar, sob o pseudônimo de Ítalo Svevo, <em>A Consciência de Zeno</em>, história na qual as memórias do protagonista – que abordam do vício pela nicotina ao amor reprimido pela cunhada &#8211; são perscrutadas postumamente por seu analista.</p>
<p>Paulo Francis, diferentemente de Zeno, não relegou seus pensamentos aos olhos cansados de um psicólogo. Porém, assim como Zeno, encontrava no papel a válvula de escape para as suas reflexões, indagações e confissões.</p>
<p>A história é conhecida: jornalista, colunista e crítico em geral, Francis é considerado por muitos como um dos maiores intelectuais do século passado. Apesar de ter escrito três livros de ficção, duas memórias e seis coletâneas – todos um fracasso de crítica, à exceção de <em>O Afeto que se Encerra</em>, que a despeito da narrativa confusa e das citações aleatórias e pernósticas, adquire certa relevância por seu caráter revelador da formação psicológica do autor -; Francis será mais lembrado por sua conduta polêmica, agressiva e mordaz.</p>
<p>Tais características são muito bem exploradas em <em>Waal – O Dicionário da Corte de Paulo Francis</em>, antologia de epígrafes publicadas pelo autor nos Jornais <em>Folha de S. Paulo</em> e <em>O Estado de S. Paulo</em>, onde o mesmo trabalhou a partir de 1977.</p>
<p>Organizada pelo jornalista Daniel Piza, o livro é esquematizado de forma semelhante ao recém lançado <a href="http://veja.abril.com.br/190809/lula-como-nunca-antes-p-128.shtml">Dicionário Lula</a> , ou seja, traz em ordem alfabética as opiniões e análises de Francis sobre os mais variados temas e assuntos, do aborto à melodia de Wagner, compositor teutônico de quem Francis tanto se orgulha em citar. A seguir, algumas das frases antológicas (e polêmicas) da obra:</p>
<p>- <em>Sou assim. Apátrida, Apatriótico. No país em que vivo me adapto. Considero o nacionalismo, em última análise, uma das principais causas de nossas desgraças. Se somos nacionalistas, temos de fazer o mal ao próximo, em defesa do que julgamos nosso.</em> (FSP, 22/12/79)</p>
<p>- <em>Jorge Luis Borges é um imitador muito do mixuruca de Kafka.</em> (FSP, 18/8/84)</p>
<p><em>- A descoberta do clarinete por Mozart foi uma contribuição cultural maior do que a que a África toda nos deu.</em> (FSP, 24/5/90)</p>
<p><em>- Mulheres também têm participação mínima na história. Não quero dizer que não tenha havido grandes mulheres, de Cleópatra a Greta Garbo. Mas sua participação é mínima pelo simples motivo de que a história da humanidade até a segunda metade do século é, como notou Winston Churchill, a guerra.</em> (FSP, 26/4/90)</p>
<p><em>- Qualquer pessoa inteligente é contraditória, só gente burra que não se toca disso.</em></p>
<p><em>- A televisão é a força mais subversiva da nossa sociedade, ainda que inconscientemente. Como há uma enorme propaganda da que somos todos iguais, a realidade provoca ressentimento crescente nos que não têm o que querem.</em> (FSP, 18/1/90)</p>
<p><em>- A melhor propaganda anticomunista é deixar os comunistas falarem.</em> (FSP, 6/7/79)</p>
<p><em>- Cuba é um deserto intelectual. Ninguém pode sair. Nada se pode discutir.</em> (FSP, 6/4/89)</p>
<p>Francis teve um infância conturbada, o que explica muito de seu caráter. Sofreu um trauma aos 14 anos, quando a prematura morte da mãe por septicemia e eclâmpsia o fez mergulhar em um profundo isolamento emocional (a relação com o pai nunca fora estável), do qual ele libertar-se-ia somente aos 27 anos. O desastre de seu irmão, morto em um acidente aéreo, contribuiu para que o abismo afetivo aumentasse.</p>
<p>Restou-lhe o isolamento junto aos livros, os quais ele devorava com a voracidade típica de quem procura respostas metódicas para problemas subjetivos. Mudou-se para os EUA em 1971, já com 41 anos, para fugir dos constantes vetos da censura; casou-se quatro anos mais tarde, quando foi chamado para trabalhar na Folha de S.Paulo, e, em 1977, passou a publicar a sua coluna Diário da Corte.</p>
<p>Cosmopolita, Francis dizia que Nova York era a cidade ideal para se viver. Sobre os EUA, afirmava com lucidez que a maior parte dos detratores pouco conhecia deveras o território americano. Residia em um confortável duplex na metrópole, a poucas quadras do estúdio da Rede Globo, onde passou a trabalhar a partir do inicio ds anos 80.</p>
<p>Convertido ao neoliberalismo, mantinha no escritório de seu apartamento uma foto de Trotski pendurada na parede, que representava o último resquício de sua juventude esquerdista. Nem por isso Francis resignava-se ao erro: sua conduta indefectível fazia-a o atribuir aos inteligentes o dom da contradição.</p>
<p>Foi aí que Francis se perdeu. Ao elevar a altivez a níveis maiores que a própria sapiência, ele despertou a crítica de muitos intelectuais, que o consideravam desprovido do conhecimento que ele se esforçava em demonstrar, e perdia-se em asserções nitidamente opinativas e desprovidas de critérios jornalísticos laboriosamente estudados. Dessa forma, defendia-se com opiniões pessoais que apresentava como truísmos iniludíveis e freqüentemente apelava a extremismos – a saída mais fácil à ausência de argumentos &#8211; em seus textos.</p>
<p>Além disso, Francis orgulhava-se de seu estilo contestador e ácido. Comprava brigas (muitas vezes desnecessárias) cujo sentido parecia limitar-se a polêmica por si só. Assim, já foi chamado de “<a href="http://www.blogger.com/(http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u465487.shtml)">Bicha amarga</a>” por Caetano Veloso e <a href="http://www.paulofrancis.com.br/polemica_polemicas_camada_2.htm">agredido</a> por Paulo Autran e Adolfo Celi , após insinuar que a atriz Tônia Carrero alçara a sua carreira por meio do sexo. Perdeu amizades e credibilidade. Arrependeu-se do episódio posteriormente.</p>
<p>Vítima de um ataque cardíaco, Francis morreu há doze anos, em Nova York, onde morava desde o início dos anos 70. Seu legado no jornalismo nacional é inegável, e de sua fonte bebem até hoje nomes como Arnaldo Jabour, Diogo Mainard e João Pereira Coutinho. O paradoxo de Francis situa-se na sagacidade e lucidez de seus pensamentos conspurcados por preconceitos e agressividade gratuita. Aversão ou admiração, é impossível passar indiferente a Francis.</p></div>
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		<title>Talese e o sexo</title>
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		<pubDate>Fri, 29 May 2009 20:26:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Noves Fora</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Fernando Martines
Gay Talese aporta no Brasil em breve. O escritor será um dos palestrantes da Feira Literária Internacional de Paraty de 2009. No dia 4 de julho, ele irá compor a mesa literária número 14, onde divulgará seu mais recente livro, Vida de Escritor, uma obra autobiográfica sobre sua atuação no mundo das letras. Talese também [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=103&subd=9sfora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div>Por<strong> Fernando Martines</strong></div>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/julialat34/2443648035/"><img class="alignright size-medium wp-image-117" title="Talese flickr" src="http://9sfora.files.wordpress.com/2009/05/talese-flickr.jpg?w=300&#038;h=225" alt="Talese flickr" width="300" height="225" /></a>Gay Talese aporta no Brasil em breve. O escritor será um dos palestrantes da <a href="http://www.flip.org.br/" target="_blank">Feira Literária Internacional de Paraty de 2009</a>. No dia 4 de julho, ele irá compor a mesa literária número 14, onde divulgará seu mais recente livro, <em>Vida de Escritor</em>, uma obra autobiográfica sobre sua atuação no mundo das letras. <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/05/02/casamento-de-50-anos-de-gay-talese-o-tema-de-seu-novo-livro-755614771.asp" target="_blank">Talese também deverá comentar seu atual projeto, um livro-reportagem que tratará dos 50 anos de seu matrimônio com a agente literária Nan</a>. O livro tratará de todos os elementos que formam a vida a dois: discussões, momentos românticos, rupturas e reconciliações. E claro, sexo. </p>
<p>O assunto não sai da cabeça de Talese. Seu interesse pelo tema ficou evidente em 1980, ano em que publicou <em>A Mulher do Próximo</em>. No livro-reportagem, que demorou nove anos para ficar pronto, o jornalista procura mostrar a mudança na percepção da sociedade norte-americana em relação ao sexo. De algo socialmente condenável, a sexualidade acabou se tornando nada mais que um elemento do cotidiano. </p>
<p>No livro, Talese coloca-se como personagem e, depois de admitir que já tivera alguns casos extraconjugais, revela seu método de apuração imersivo. Foi primeiro frequentador e depois gerente de casas de massagem &#8211; nas quais, por quinze dólares a mais, ganhava-se um <em>happy ending</em>, bônus sempre requisitado pelo escritor. Depois, tornou-se espectador assíduo de cinemas pornôs e shows de sexo explícito. </p>
<p>Já como membro da comunidade de amor livre de Sandstone, Talese enfurnou-se em um &#8220;paraíso da permissividade&#8221; que, segundo ele, era o &#8220;pedaço de terra mais liberado da república nem sempre democrática dos Estados Unidos”. Logo na primeira noite, participou de uma orgia. Pouco depois, transou com a esposa do fundador de Sandstone.</p>
<div id="attachment_119" class="wp-caption alignleft" style="width: 130px"><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"><img class="size-full wp-image-119" title="capa mulher do próximo" src="http://9sfora.files.wordpress.com/2009/05/capa-mulher-do-proximo.jpg?w=120&#038;h=180" alt="&lt;i&gt;A Mulher do Próximo&lt;/i&gt; foi a primeira obra de Talese a expor seu matrimônio" width="120" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">A Mulher do Próximo foi a primeira obra de Talese a expor seu matrimônio</p></div>
<p>Jornalismo participativo até demais, acusavam os jornais da época. Para muitos, o método de Talese era apenas uma desculpa para se esbaldar nos prazeres da carne. Essa exposição pública de sua pesquisa, e conseqüentemente de sua vida pessoal, abalou o seu casamento. Nan, extremamente incomodada com a situação, deixou-o. </p>
<p>O esclarecimento sobre esse momento da vida dos dois deve ser o do ponto alto dessa sua &#8216;biografia matrimonial&#8217;. Mais do que como essa publicidade afetou a relação, será interessante entender o caminho pelo qual eles a superaram. Será algo como uma expiação pública dos Talese. Mais publicidade.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Cicatrizes da infância</strong></p>
<p>De onde vem esse interesse de Talese, um dos maiores escritores americanos da segunda metade do século XX, por sexo? A resposta ele mesmo dá, no derradeiro capítulo de <em>A Mulher do Próximo.</em> O maior nome do <em>new journalism</em> conta que, na juventude, lhe foram fortemente incutidas as noções de pecado em relação ao sexo.</p>
<p>Talese nasceu e cresceu na pequena e conservadora cidade de Ocean City, no sul dos Estados Unidos, onde até meados dos anos 70 ainda era proibida a venda de bebidas alcoólicas. Lá, sob orientação de seus rigorosos pais católicos, ele estudou em colégio de freiras e foi coroinha. Com vergonha de comprar revistas pornográficas, masturbou-se pela primeira vez apenas no segundo ano da faculdade e, quando o fazia,  ainda ouvia na cabeça as estridentes avisos do padre sobre a implacável punição celestial.</p>
<p>Proibição gera curiosidade. Com Gay Talese não foi diferente. E a repressão da infância gerou um interesse tão grande que, ajudado pelo talento do escritor,  acabou se transformando em um libelo sobre a revolução sexual nos Estados Unidos.</p>
<p><strong>Teoria político-sexual</strong></p>
<p>A ligação do autor de <em>Fama e Anonimato</em> com o sexo extrapolou o simples interesse jornalístico e literário. O tema é central em sua vida: ser liberal em relação ao sexo, para Gay Talese, é um conceito ideológico que vai além do campo do comportamento humano. Chega a ser um ato político.</p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2403200816.htm" target="_blank">Em entrevista ao jornal <em>Folha de S. Paulo</em></a>, em março de 2008, o jornalista apresentou uma teoria, de cunho próprio, sobre a eficiência em cargos públicos. Para ele, políticos que possuem uma vida sexual mais ativa exercem melhores mandatos. Já os castos são um desastre.</p>
<p>“John Kennedy foi um presidente muito bom e tinha amantes. Bob Kennedy, seu irmão, tinha amantes. Eram casados e tinham amantes. Lyndon Johnson tinha amantes. Eisenhower. Todos nossos bons presidentes tinham amantes. O presidente Richard Nixon não tinha amantes e foi um presidente ruim. Esse cara, George W. Bush, é um presidente ruim. E não tem amantes. Entende? Bill Clinton foi muito bom e teve. Os piores presidentes são os que não tiveram amantes”, disse Talese ao periódico brasileiro.</p>
<p>Teorias político-sexuais à parte, para a biografia do casamento dos Talese espera-se que a prosa de Gay esteja tão forte e vigorosa quanto ele afirma estar sua vida sexual. Aos 77 anos,<a href="http://oglobo.globo.com/blogs/ny/post.asp?t=a-melhor-reportagem-de-gay-talese&amp;cod_post=182423" target="_blank"> quando questionado sobre como manter um casamento por um longo período,</a> o escritor afirmou que o segredo está no entendimento do casal na cama. Garantiu que ele e Nan continuam muito ativos e, com o ardor de um garoto, emendou: “Minha mulher é uma amante espetacular”.</p>
Posted in Críticas Tagged: flip, gay talese, juventude, mulher do próximo, sexo <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/9sfora.wordpress.com/103/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/9sfora.wordpress.com/103/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/9sfora.wordpress.com/103/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/9sfora.wordpress.com/103/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/9sfora.wordpress.com/103/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/9sfora.wordpress.com/103/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/9sfora.wordpress.com/103/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/9sfora.wordpress.com/103/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/9sfora.wordpress.com/103/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/9sfora.wordpress.com/103/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=103&subd=9sfora&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>O despertar do eterno veterano</title>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 17:54:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Noves Fora</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Igor Prado

Dois anos após a morte, e doze anos após o fim de sua carreira ficcional, Kurt Vonnegut será ressuscitado. A editora norte-americana Delacorte Press escolheu o mês de novembro para lançar o póstumo Look at the Birdie, coletânea de catorze contos inéditos do autor. No ano de 2006, ele relia seu réquiem literário [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=97&subd=9sfora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Por <strong>Igor Prado</strong></p>
<p><a href="http://9sfora.files.wordpress.com/2009/05/vonneguff.jpg"><img class="size-medium wp-image-92 alignright" title="vonneguff" src="http://9sfora.files.wordpress.com/2009/05/vonneguff.jpg?w=199&#038;h=300" alt="O lançamento está previsto para o dia 20 de outubro." width="199" height="300" /></a></p>
<p>Dois anos após a morte, e doze anos após o fim de sua carreira ficcional, Kurt Vonnegut será ressuscitado. <a href="http://www.guardian.co.uk/books/2009/apr/16/kurt-vonnegut-unpublished-stories" target="_blank">A editora norte-americana <em>Delacorte Press</em> escolheu o mês de novembro para lançar o póstumo <em>Look at the Birdie</em></a>, coletânea de catorze contos inéditos do autor. No ano de 2006, ele relia seu réquiem literário em um artigo de tom confessional: “Escrevi livros. Um monte deles. Eu fiz tudo que deveria fazer. Posso ir pra casa agora?”. Não, Vonnegut, não pode. Se é na idéia de um homem que repousa a eternidade, sua morte é reduzida a leve sono. E você vai acordar.</p>
<p>Mestre em acobertar a ironia de seus escritos em uma doce camada de empatia por seus personagens, Kurt Vonnegut ainda é uma peça torta no quebra-cabeça dos estilos literários. Não é um escritor de ficção científica. Tampouco um reles pacifista que transforma o texto em panfletos. Já o alegado pós-modernismo autobiográfico de seus livros sempre apanhou, ao menos nos detalhes, para qualquer uma das entrevistas em que resgatava o episódio – <a href="http://www.parisreview.com/viewinterview.php/prmMID/3605" target="_blank">e sempre resgatava</a>.</p>
<p>O escritor presenciou um dos momentos mais aterrorizantes da Segunda Guerra Mundial – o bombardeio regado a fogo da cidade de Dresden, na Alemanha, retratado em <em>Slaughterhouse Five, Matadouro 5</em> . Eu tinha quinze anos quando comprei e li a obra, no infame formato <em>pocket</em> da editora L&amp;PM. A minha intenção, frente à estante de livros de uma banca de revistas, era levar ficção científica pra casa. Meu dedo repousava sobre títulos de Asimov.  Mas ao passar os olhos sob a contracapa de <em>Matadouro 5,</em> e ler sob viagens no tempo e outros planetas, escolhi Vonnegut.</p>
<p>Boom.  Com a imagem da cidade de Dresden em chamas, derreteu-se também minha concepção de escrita. Acostumado aos roteiros bem delineados e sólidos, me realizei com a leitura de um romance sem capítulos lógicos, sem começo-meio-fim, e em um palco onde protagonistas e figurantes trocavam constantemente de papel. É a marca maior de Vonnegut: uma liberdade na organização do texto que, em uma extensa bibliografia, encontrou mais erros que acertos. Mas que acertos.</p>
<p>O próprio <em>Slaughterhouse Five</em> é o maior exemplo. Muito mais que ficção científica. A cada página de leitura, os extraterrestres e o Planeta Tramalfadore do livro pareciam mais próximos da realidade. Tratando de problemas não de outro mundo, mas deste. Guerra, morte, genocídio. Vonnegut tratava de alguns dos temas mais pesados da história humana, com a beleza e o romantismo de um garoto de 15 anos- que, como eu, às vezes procurava no céu respostas fantásticas para problemas mundanos.</p>
<p><strong>O robô e o humano</strong><strong></strong></p>
<p>Foi meu trunfo não ter levado Asimov pra minha biblioteca, no dia de minha compra. Vonnegut elevou o nível de um livro com características de ficção científica para onde o primeiro, com seus robôs e racionalismo hermético, jamais conseguiu chegar. Com discursos tão diferentes, a minha surpresa e susto foram observar que, entre eles, existiam várias proximidades em suas biografias.</p>
<p>Possuíam os dois, raízes em inimigos históricos dos EUA. Vonnegut vinha de uma família germânica enquanto Asimov nascera na Rússia, mas serviram ao exército americano na Segunda Guerra Mundial. Ambos eram agnósticos, escolhendo o termo “humanista” como melhor denominação &#8211; os dois, aliás, presidiram a <a href="http://www.americanhumanist.org/" target="_blank"><em>American Humanists Association</em></a>. Compartilhavam, até, da honra de ter asteróides batizados em sua homenagem – <em>25399 Vonnegut </em>e<em> 5020 Asimov.</em></p>
<p>Mas por mais que os caminhos se cruzem, existe um abismo entre suas obras. Os alienígenas, as viagens no tempo e as bizarras armas secretas de destruição em massa (como o Gelo 9, de <em>Cama de Gato</em>) dos livros de Kurt Vonnegut eram meras alegorias para mensagens muito mais subjetivas. Em contraposição ao racionalismo tacanho de Asimov, que procurava responder todas as questões através de metáforas políticas baseadas no desenvolvimento científico, Vonnegut estranhamente  jogava no campo oposto. A biografia, o pessoal das experiências traumáticas de guerra, se esparramava por suas páginas.</p>
<p><strong>Sinais de cansaço</strong><strong></strong></p>
<p>Franzino, fumante irremediável e de vida pessoal extremamente conturbada, Vonnegut conseguia despertar em mim a imagem de um escritor que sofria por digladiar diariamente um pessimismo e um amor incondicional pela raça humana. E os contrastes de tal fotografia ficam ainda mais fortes ao observarmos o que caminho que o pequeno homem de bigode trilhou guiado por suas palavras.</p>
<p>A esperança pelo homem, ainda que controverso em todas suas declarações por apegos a certos conceitos deterministas, está no Vonnegut ficcional, eternizado em seus livros. Já o pessimismo se encontra quando o autor de romances desce o salto de capa-dura e se localiza nas críticas políticas. Mais localizado no contemporâneo, em seus últimos anos foi ferrenho opositor do governo de Bush, principalmente em colaborações para a revista <a href="http://www.inthesetimes.com/" target="_blank"><em>In These Times</em></a>, da qual era editor sênior.  </p>
<p>Eu não renego ou refuto a influência que um escritor exerce na opinião pública ao externar abertamente suas posições políticas. Mas no caso de Vonnegut, foi a pior escolha possível. Em 2005, ao ser entrevistado David Nason, do <em>The Australian</em>, disse admirar terroristas do Oriente Médio por “morrerem pelo que acreditam”. Controversa frase que, em uma ironia, indicava desconhecimento dos americanos em relação aos seus inimigos &#8211; e conseqüentemente, da razão do conflito.  Obviamente, foi rechaçada pela crítica.</p>
<p>Mas ao final de uma conta incerta, o erro do Vonnegut ensaísta foi eleger Bush como mote e destinatário de suas palavras. Não por ser o ex-presidente norte-americano, mas por ser <em>alguém</em>. Abriu brecha para que toda sua obra fosse parafraseada em trovas políticas alheias.  E aqui perdeu ele e seus fãs mais atenciosos, que viam o valor universal de seu trabalho diminuído ao situacional. Vide Michael Moore que, em seus discursos, vira e mexe citava e continua a citar trechos de livros do autor.</p>
<p>Kurt Vonnegut se despediu da ficção em 1997, com <em>Timequake</em>, <em>Tremor de Tempo</em>. A editora <em>Delacorte Press</em> ainda não divulgou maiores detalhes sobre quando os contos póstumos de <em>Look at the Birdie</em> foram escritos. Portanto, para os leitores, resta esperar ansiosamente os seis meses até o lançamento. Comigo, guardo a vontade inesperada de rever o Vonnegut dos meus 15 anos. Porque a alma do autor está lá. Quando era menos ideologia, e mais disposição filosófica. Oferecendo-me não respostas, mas perguntas. “<em>So it goes</em>”.</p>
Posted in Críticas Tagged: lançamento, look at the birdie, vonnegut <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/9sfora.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/9sfora.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/9sfora.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/9sfora.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/9sfora.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/9sfora.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/9sfora.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/9sfora.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/9sfora.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/9sfora.wordpress.com/97/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=97&subd=9sfora&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Agradecimentos</title>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2009 04:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafaelcabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Jane Austen]]></category>
		<category><![CDATA[Landmark]]></category>
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		<description><![CDATA[Nós do NovesFora agradecemos a todos os blogs que repercutiram o texto do Lucas sobre o péssimo – e aparentemente desonesto – trabalho que a editora Landmark vem fazendo ao editar as obras da Jane Austen.
Para um projeto recém-iniciado como o nosso, é crucial contar com a divulgação de gente que está na blogosfera há mais tempo. Além [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=81&subd=9sfora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Nós do <em>NovesFora</em> agradecemos a todos os blogs que repercutiram <a href="http://9sfora.wordpress.com/2009/05/08/jane-austen-em-maos-erradas/" target="_blank">o texto do Lucas </a>sobre o péssimo – e aparentemente desonesto – trabalho que a editora <em>Landmark</em> vem fazendo ao editar as obras da Jane Austen.</p>
<p>Para um projeto recém-iniciado como o nosso, é crucial contar com a divulgação de gente que está na blogosfera há mais tempo. Além disso, é por conta de vocês que conseguimos com o post alcançar um debate de alto nível. Justamente o que  buscávamos ao começar o <em>NovesFora: </em>interlocutores inteligentes.</p>
<p>Nossos sinceros agradecimentos.</p>
<p> </p>
<p><a href="http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/05/o-papel-pedagogico-dos-blogs.html" target="_blank">O papel pedagógico dos blogs</a>, em <em>Não gosto de plágio</em>, de Denise Bottmann:</p>
<blockquote><p>“Acalorado debate sobre os méritos e deméritos das más traduções e dos plágios em <em>NovesFora</em> [...]. O responsável pelo blog, aliás, está de parabéns por sua quase infinita paciência com os mais exaltados. Uma bonita lição de civismo.&#8221;</p></blockquote>
<p> <a href="http://janeausten.com.br/2009/05/dicas-e-avisos/" target="_blank">Dicas e avisos</a>, no <em>Jane Austen em português</em>, da Raquel:</p>
<blockquote><p>“Texto imperdível de Lucas Rizzi no blogue <em>NovesFora</em> sobre as péssimas traduções e/ou plágios”</p></blockquote>
<p><a href="http://azuldesetembro.blogspot.com/2009/05/enfim-serenidade_13.html" target="_blank">Enfim serenidade</a>, no <em>Azul de Setembro, </em>de Mara Vanessa:</p>
<blockquote><p>&#8220;Por muito tempo, eu acreditei que não estava dando o devido valor à obra [<em>Persuasão</em>]. Confiei que estava menosprezando um livro cercado de maturidade, que trazia minha heroína (minha querida Jane) na sua melhor forma [...]. Passou o tempo, o outono foi embora (talvez, um dia, ainda fale sobre isso) e, eis que de repente, encontro no blog da Raquel um link direcionando ao <em>NovesFora</em>, onde encontrei a redenção pelo texto de Rizzi. Sensacional!&#8221;</p>
<p> </p></blockquote>
Posted in Notícias Tagged: Jane Austen, Landmark, repercussão <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/9sfora.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/9sfora.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/9sfora.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/9sfora.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/9sfora.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/9sfora.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/9sfora.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/9sfora.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/9sfora.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/9sfora.wordpress.com/81/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=81&subd=9sfora&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Jane Austen em mãos erradas</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 04:58:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Noves Fora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Jane Austen]]></category>
		<category><![CDATA[Landmark]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Lucas Rizzi
Das seis obras completas da novelista britânica Jane Austen, duas delas, A Abadia de Northanger (1818) e O Parque de Mansfield (1814), provocam dor de cabeça em seus admiradores. Editadas há décadas no Brasil, ambas sumiram do mapa há tempos. Não adianta vasculhar em livrarias e nem nas prateleiras mais empoeiradas dos sebos. Esqueçam, porque nesse palheiro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=62&subd=9sfora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Por <strong>Lucas Rizzi</strong></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-64" title="abadia" src="http://9sfora.files.wordpress.com/2009/05/abadia1.jpg?w=209&#038;h=300" alt="abadia" width="209" height="300" />Das seis obras completas da novelista britânica Jane Austen, duas delas, <em>A Abadia de Northanger</em> (1818) e <em>O Parque de Mansfield</em> (1814), provocam dor de cabeça em seus admiradores. Editadas há décadas no Brasil, ambas sumiram do mapa há tempos. Não adianta vasculhar em livrarias e nem nas prateleiras mais empoeiradas dos sebos. Esqueçam, porque nesse palheiro não tem agulha. Só com uma generosa dose de sorte é possível encontrar um desses títulos no país, ou então na forma de <em><a href="http://www.esnips.com/web/JANEAUSTENCHARLOTTEEMILYEANNEBRONTE" target="_blank">e-books</a></em>, e mesmo assim, apenas depois de muito suor.</p>
<p>Mas o ano de 2009 será<a href="http://www.editoralandmark.com.br/"></a> de novidades para os fãs da escritora. Não é que a <em>Landmark</em>, que tem em seu catálogo dezenas de livros em edições bilíngües, resolveu ressuscitar essas duas raridades? Conforme já anunciado em seu <a href="http://www.editoralandmark.com.br/" target="_blank">site oficial</a>, a editora irá relançar <em>A Abadia de Northanger</em> ainda neste mês, e <em>O Parque de Mansfield</em> em agosto. Boa notícia para os fãs? Nem tanto.</p>
<p>Explico. Em 2007, essa mesma editora publicou outra obra da escritora, <em>Persuasão</em> (1818), seu último romance. E o resultado não foi dos melhores. Mas antes de tudo, vale contar a sua história. Afinal, um pouco de Jane Austen nunca é demais.</p>
<p>Em <em>Persuasão</em>, diferente dos outros livros da autora, a protagonista, Anne Elliot, é uma mulher já amadurecida, beirando os trinta anos. Não possui a personalidade impetuosa e irônica de Elizabeth Bennet, o caráter apaixonante e inconsequente de Mariane Dashwood ou a excessiva cautela e zelo de sua irmã, Elinor - para ficar nas heroínas mais conhecidas, de <em>Orgulho e Preconceito (1813)</em>, e <em>Razão e Sensibilidade (1811)</em>.</p>
<p>Quando jovem, em nome da honra de sua família, Anne é persuadida a romper seu compromisso com o militar Frederick Wentworth, um homem até então sem posses. Oito anos depois, quando se passa a história, seus sentimentos voltam à tona ao encontrar Frederick, agora um capitão bem sucedido da marinha britânica. A partir daí, a história segue à maneira tipicamente austiniana. Supostos heróis que nas últimas páginas se mostram ambiciosos vilões, arrependimentos, amigas, parentes ou agregados não tão <a href="http://9sfora.files.wordpress.com/2009/05/mansfield-park1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-66" title="mansfield park" src="http://9sfora.files.wordpress.com/2009/05/mansfield-park1.jpg?w=209&#038;h=300" alt="mansfield park" width="209" height="300" /></a>confiáveis, etc.</p>
<p>Mas, voltando à edição da <em>Landmark</em>, a obra, que por muitos é considerada a mais madura de Jane Austen, com sua ironia afiada como nunca, acaba perdendo muito de seu valor por conta de uma tradução bastante deficiente, que aparece no nome de Fabio Cyrino. As falhas são muitas. Passando pelas páginas, que mais parecem folhas de jornal, não é difícil encontrar erros de concordância, aspas que não fecham &#8211; isso quando não estão em lugares onde não deveriam estar &#8211; vírgulas substituindo ponto final, e por aí vai.</p>
<p>Além disso, o texto foi traduzido de maneira excessivamente literal. O que era leve e fluente em inglês, fica truncado e burocrático em português. Um crime contra uma autora conhecida pelo grande domínio da língua. A sua ironia, bom humor e fineza no trato com a escrita ao retratar as diferentes classes sociais se perdem em meio a todos esses defeitos.</p>
<p>Tudo isso ganha proporções ainda maiores em uma edição bilíngüe. O texto original está logo ali ao lado, implorando por uma comparação do leitor e escancarando ainda mais as falhas presentes na tradução. Para piorar, <a href="http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/01/landmarkismo-estgio-superior-do.html" target="_blank">há uma acusação de plágio de uma edição portuguesa da <em>Europa-América</em></a>. É como se fosse aquele aluno que cola de quem tira zero.</p>
<p>Ter a oportunidade de possuir a obra completa de Jane Austen &#8211; apesar daquelas capas que desconsideram completamente a existência de fãs homens - é de enxer os olhos dos mais e até dos menos fanáticos. Mas qualquer admirador ou interessado preza pela qualidade do que está lendo. E aquele que se iniciar na prosa austiniana pela versão da <em>Landmark</em> de <em>Persuasão</em> certamente não será motivado a se aprofundar.</p>
<p>Por via das dúvidas, leitor, não compre os novos títulos da editora. Não se arrisque, aposte naquilo que é certo: Leia <em>Orgulho e Preconceito</em> ou <em>Razão e Sensibilidade</em>. Terminará a leitura encantado, eu garanto. Só então enfrente o perigo. Se a editora pisar na bola de novo, você saberá que o alvo das pedradas será a <em>Landmark -</em> e não Jane Austen.</p>
Posted in Notícias Tagged: Jane Austen, Landmark, Persuasão <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/9sfora.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/9sfora.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/9sfora.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/9sfora.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/9sfora.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/9sfora.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/9sfora.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/9sfora.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/9sfora.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/9sfora.wordpress.com/62/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=62&subd=9sfora&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Saramago e Lobo Antunes: o voto útil</title>
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		<pubDate>Tue, 05 May 2009 02:28:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafaelcabral</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Lobo Antunes]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Rafael Cabral

Como é medíocre a eterna briga entre os escritores lusos José Saramago e Lobo Antunes. Aliás, mais que medíocre: vazia. Saiu há pouco na New Yorker um artigo de Peter Conrad por conta do lançamento nos Estados Unidos de Que farei quando tudo arde, de Antunes. Imagine você qual o foco do texto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=49&subd=9sfora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Por <strong>Rafael Cabral</strong></p>
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_53" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.flickr.com/photos/fabio_dsp/96959743/"><img class="size-medium wp-image-53" title="hau1" src="http://9sfora.files.wordpress.com/2009/05/hau1.jpg?w=300&#038;h=225" alt="As farpas entre Saramago e Lobo Antunes já se assemelham às mais severas divergências ideológicas. São, no entanto, quase sempre vazias de conteúdo." width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">As farpas entre Saramago e Lobo Antunes já se assemelham às mais severas divergências ideológicas. São, no entanto, quase sempre vazias de conteúdo.</p></div>
<p>Como é medíocre a eterna briga entre os escritores lusos José Saramago e Lobo Antunes. Aliás, mais que medíocre: vazia. Saiu há pouco na New Yorker <a href="http://www.newyorker.com/arts/critics/books/2009/05/04/090504crbo_books_conrad" target="_blank">um artigo de Peter Conrad </a>por conta do lançamento nos Estados Unidos de <em>Que farei quando tudo arde</em>, de Antunes. Imagine você qual o foco do texto do crítico australiano. Claro, a rixa. Inovador.</div>
<p>O começo da troca de sopapos eu não sei bem quando se deu. Mas fica claro que as divergências aumentaram quando Saramago se tornou o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel, em 1998. A história já é clássica. Os jornalistas do <em>Times</em>, ao ligarem para Lobo Antunes pedindo por uma opinião sobre a premiação, não receberam mais que um longo silêncio. E tossidas nervosas. E mais silêncio. Por fim, alegando que a ligação estava ruim, Lobo Antunes bateu o telefone. </p>
<p>Os partidários de Lobo Antunes não cansam de apontar para os suecos que eles premiaram o gajo errado. Ao que os ferrenhos defensores do autor de <em>Ensaio Sobre a Cegueira</em> não respondem com mais do que o desdém. Inveja pura, dizem. Em troca, os ‘lobistas’ arremessam críticas à personalidade de Saramago. Soberba. Orgulho. Ego. As obras? Todas repletas de pseudo-universalismo fácil.</p>
<p>Falei de ‘partidários’ e não foi por acaso. Os fãs de um atacam principalmente a pessoa do outro. Não a obra. O que é isso senão a imagem dos partidos políticos de depois que se espatifou o Muro de Berlim? Não existem critérios para a discordância. Existe apenas a discordância. Ponto.</p>
<p>Formaram-se duas legendas de admiradores, cuja única preocupação parece ser enxotar a parte contrária e diminuir os trunfos do escritor rival. Pouco levando em conta as diferenças estéticas que, de fato, existem entre os dois. Existem e são claras. A palavra é de Conrad, livre e porcamente traduzido por mim:</p>
<blockquote><p><em>Seu país, acanhado, pode não ser grande o suficiente para os dois homens, mas a partir de uma certa distância esse feudo dificilmente importa. Bons novelistas são únicos, o que os faz incomparáveis. Saramago é um mago do bem cujas ficções conseguem, com um sorriso, suspender a realidade. Lobo Antunes é mais como um exorcista, freneticamente lutando para expulsar o mal e para curar o corpo político.<br />
</em><em><br />
As parábolas seculares de Saramago, que têm lugar principalmente em países não-identificados ou imaginários, facilmente flutuam para a universalidade. Lobo Antunes permanece obsessivamente local, preocupando-se com as doenças herdadas da história portuguesa e as deficiências de sua própria cultura. </em></p>
<p><em>Ele é como o Stephen Dedalus de Joyce, jogando sobre si todas as desgraças da Irlanda como forma de se tornar uma consciência nacional, lembrando os seus recentemente europeizados e prósperos compatriotas de seu passado vergonhoso – um legado de culpa deixado tanto pela ditadura de António de Oliveira Salazar, que governou o país de 1932 até 1968, quanto pela brutalidade nos seus domínios coloniais na África. </em></p>
<p><em>Os portugueses oficialmente decidiram esquecer essa era de sufocante opressão, quando a Igreja Católica santificou as estruturas do Estado fascista.  Lobo Antunes critica a covardia moral desses que toleraram a perseguição ou, silenciosamente, colaboraram com a polícia secreta de Salazar (&#8230;).</em></p>
<p><em>Um romance sempre revela o mundo dentro da cabeça de alguém. No caso de Lobo Antunes, esse mundo é do tamanho de um país – pequeno e marginal, talvez, mas repleto de vilania e vício, e tão coberto de feridas quanto uma enfermaria superlotada de hospital.</em></p>
<p> </p></blockquote>
<p>Pessoalmente, não faço parte das fileiras de nenhum dos dois. Se me fosse dado o direito ao voto em Portugal, mantendo a metáfora política, depositaria minha confiança em Miguel Esteves Cardoso – que, aliás, já foi candidato. Fora da metáfora. Um ano antes do meu nascimento, em 1987, pelo Partido Popular Monárquico. Mas sobre o autor de o <em>O Amor é Fodido</em> eu falo em outra ocasião.</p>
<p>E no caso de o meu delírio acabar em uma disputa de segundo turno entre o Nobel e o ‘Eterno Nobel’ (como chamam Lobo Antunes)? Sim, eu faria uso da prática moralmente duvidosa de escolher o ‘menos pior’. Pena que o voto é secreto. Seja em Portugal, seja no Brasil.</p>
<p>Secreto, mas eu revelo aqui. Falando baixinho. Mesmo temendo pelo apedrejamento do lado de lá, escolho Saramago. O homem costuma acertar quando desiste de tentar arrastar consciências para suas escolhas políticas duvidosas. Saramago é bom assim, como os partidos políticos modernos: vazio ideologicamente.</p>
<p><em>Memorial do Convento</em> ou <em>O Ano da Morte de Ricardo Reis</em> são grandes livros. Assim como o mais recente, <em>A Viagem do Elefante</em>, que faz um belíssimo retrato da condição humana ao narrar o trajeto do elefante do título – Salomão, o nome – por países sem fim até chegar à Áustria, onde servirá de presente para o arquiduque Maximiliano.</p>
<p>Para Lobo Antunes, recomendo que continue a esperar o Nobel que teima em não vir. Enquanto espera, não faz mal algum aproveitar o cachê certamente polpudo que vai ganhar com sua <a href="http://www.flip.org.br/noticias.php3?id=348" target="_blank">participação na Feira Literária Internacional de Paraty de 2009</a>. Onde, aliás, ele certamente será aplaudido de pé – como todos que lá falaram, falam e falarão.</p>
<p>Quanto a Saramago, o problema maior reside nas suas parábolas recheadas do mais primário didatismo, como este <em>Ensaio Sobre a Cegueira</em> que a versão cinematográfica consegue superar em mediocridade. É politicamente infantil. Moralista. Permeado da mais empoeirada grandiloqüência. Quando mira, intencionalmente, no tal “universalismo” que Conrad destaca positivamente, Saramago erra feio. E atinge a própria testa.</p>
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		<title>Gabriel García Márquez desmente boatos de aposentadoria</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2009 18:48:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Noves Fora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel García Marquez]]></category>
		<category><![CDATA[Nobel]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Luiz Betti
Gabriel García Márquez, escritor colombiano ganhador do Nobel de Literatura em 1982, foi vítima de uma trapalhada jornalística nas últimas semanas.
No fim de março, o diário chileno La Tercera entrevistou pessoas próximas de Gabo que afirmaram que o autor de Cem Anos de Solidão estaria prestes a se aposentar e, no dia primeiro de abril, surgiram ainda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=9sfora.wordpress.com&blog=7261577&post=3&subd=9sfora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Por <strong>Luiz Betti</strong></p>
<div id="attachment_22" class="wp-caption alignleft" style="width: 280px"><a href="http://www.flickr.com/photos/arianfranz/2941011546/"><img class="size-medium wp-image-22 " title="gabriel2" src="http://9sfora.files.wordpress.com/2009/04/gabriel2.jpg?w=270&#038;h=179" alt="Edição norte-americana de Crônica De Uma Morte Anunciada. " width="270" height="179" /></a><p class="wp-caption-text">Edição norte-americana de Crônica de Uma Morte Anunciada. </p></div>
<p>Gabriel García Márquez, escritor colombiano ganhador do Nobel de Literatura em 1982, foi vítima de uma trapalhada jornalística nas últimas semanas.</p>
<p>No fim de março, o diário chileno <em>La Tercera</em> entrevistou pessoas próximas de Gabo que afirmaram que o autor de Cem Anos de Solidão estaria prestes a se aposentar e, no dia primeiro de abril, surgiram ainda boatos de que o próprio admitira a sua retirada. Em resposta, G. M foi ao jornal <em>El Tiempo</em> e não apenas disse que não fechará a produção, como  afirmou também que não faz outra coisa senão escrever.</p>
<p>Considerado um dos criadores do realismo fantástico &#8211; e também conhecido por ser um dos maiores admiradores do cantor <a href="http://www.youtube.com/watch?v=QzQNDhrokis">Nelson Ned</a>, García Marquez deu a entender que a tinta de sua pena ainda não secou: &#8220;Meu ofício não é publicar, mas sim escrever&#8221;.</p>
<p>Para quem ainda não conhece o estilo indefectível do autor, uma boa obra de iniciação é o romance <em>Memórias de Minhas Putas Tristes</em>, de 2004. Na história, um promíscuo senhor de idade decide, em seu aniversário de 90 anos, presentear-se com a virgindade de uma jovem de 14. Porém, o ancião descobre na ninfeta muito mais do que a fuga para a sua solidão: o amor puro, incondicional e verdadeiro.</p>
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